ÉTICA E MORAL NA ADMINISTRAÇÃO
ÉTICA PROFISSIONAL E MORAL DO ADMINISTRADOR
O administrador competente se empenha na busca da sua realização individual, do seu aprimoramento intelectual, do seu desenvolvimento como pessoa e como profissional. Essa atitude implica em compromisso moral com ele mesmo, com seus clientes, com a sua organização e com a sociedade, com imposição de deveres e responsabilidades que o administrador não pode delegar.
No transcorrer da sua vida profissional, o administrador se depara com algumas situações difíceis, como por exemplo:
- As regras da empresa devem ser obedecidas a qualquer custo?- As questões individuais devem ser deixadas de lado quando se está a serviço de uma organização?
- Os fins justificam os meios, no mundo dos negócios?- Como fazer para vencer no mercado de trabalho aliando a competência e ética?
- Como agir nas situações de conflitos éticos e morais?
- No mundo dos negócios, ética e moral são coisas distintas?- Existe um código de ética profissional e este deve ser seguido à risca? Para agir dentro da ética e dos valores morais atuais, o administrador precisa conhecer, acima de tudo, o Código de Ética Profissional do Administrador (CEPA). Este guia pode ser encontrado no link http://www.cfa.org.br e foi publicado no D.O.U de 07/10/1992 - seção I - página 14.23.Ética e Moral se confundem muitas vezes. Segundo ARISTÓTELES, a ética é uma reflexão sobre o comportamento virtuoso ou não, dos agentes sociais que adotam padrões de condutas morais segundo normas sociais convencionadas como boas ou más. Ética é uma questão de consciência!
Moral são normas de conduta validadas que pautam comportamentos dos indivíduos numa comunidade social. Todas as morais deveriam estar a serviço da ética. Infelizmente, existem comportamentos bárbaros que são considerados morais perante algumas sociedades, mas longe de serem éticos. A moral não existe para nos impedir de agir, mas para nos impedir de fazer o mal, de fazer sofrer, de humilhar, de oprimir, de explorar, de subjugar. Moral é uma questão de prática!O quadro abaixo mostra as diferenças básicas entre ética e moral:| ÉTICA | MORAL |
| É princípio | É conduta específica |
| É permanente | É temporal |
| É universal | É cultural |
| É regra | É conduta de regra |
| É teoria, reflexão | É prática, ação |
No mundo dos negócios observa-se muita falta de ética empresarial e profissional. Há uma grande dificuldade de se agir com ética nas organizações econômicas e complexas, pois o administrador se depara com duas situações conflitantes: a ética convencional (agir de acordo com o bem comum e concordância com os valores morais correntes) e a ética dos negócios (agir de acordo com os valores e padrões impostos pela organização).
É preciso entender o “jogo do poder” no mundo dos negócios e as relações morais que se ocultam, muitas vezes para manter as empresas sobrevivendo num mundo competitivo. Não raro se encontra um discurso ético, um código de ética da empresa, um conjunto de normas de conduta da organização; todavia, a prática empresarial atual se mostra muito distante, com inúmeros exemplos imorais.Nas condições da sociedade contemporânea surgem fatores circunstanciais que podem levar o administrador ao desvio das normas consideradas como padrões sociais de condutas morais e éticas. Dentre alguns fatores, pode-se citar: competitividade acirrada, oportunismo negocial, medo de perder o emprego ou o cargo, pressão no fechamento de negócios, falta de tempo hábil para análise, ganância do lucro imediato, necessidade de negociar com agentes antiéticos, necessidade de se manter no mercado a qualquer custo, clientes importantes mas imorais, práticas empresariais e decisões questionáveis (suborno, caixa 2, sonegação fiscal, espionagem, doações para campanhas políticas, danos ambientais causados, falsificação de documentos, exploração do trabalho assalariado, desvios financeiros, superfaturamento etc). Quando algum desses fatos é apontado pela sociedade moralista, a empresa ou organização cai no descrédito, fica desmoralizada e pode inclusive fechar as portas. Os culpados serão sempre seus proprietários e administradores que, igualmente, ficarão com a moral abalada perante a opinião pública. O profissional de administração, sendo ético e moral, não pode abdicar de sua dignidade, prerrogativas e independência profissional. Não podendo ele corrigir o problema, deve se encher de coragem e renunciar ou demitir-se do posto, cargo ou emprego, ao tomar conhecimento de comportamentos antiéticos.A ética nos negócios é o estudo da forma pelo qual normas morais pessoais se aplicam às atividades e aos objetivos da empresa ou organização. Se a ética pessoal entra em conflito com a ética e valores da empresa, cabe ao administrador (ou futuro administrador) fazer uma reflexão profunda e decidir usando o seu livre-arbítrio, assumindo suas conseqüências: manter sua integridade ou se corromper nos princípios individuais.
Nesta situação entra em cena a atitude de quem age segundo a ética da responsabilidade que diz: ‘Devemos responder pelas conseqüências previsíveis de nossos atos’. Este tem sido o grande problema do ser humano ético: o da escolha, entre agir para atingir o bem comum, ou de agir para garantir uma boa resolução para conflitos no mundo dos negócios. No caso do administrador, este deve ser fiel aos princípios da empresa mas também aos princípios vida coletiva.
Assim, não é admissível que um profissional de administração (ético) pense ainda que “os fins justificam os meios”. Antes de tudo, o administrador deve considerar o respeito pela pessoa (considerar sua autonomia de escolha, sua auto-determinação), a beneficência (maximização dos benefícios e minimização dos danos ou prejuízos) e a justiça (obrigação ética de tratar cada pessoa de acordo com o que é moralmente certo e adequado, de dar a cada pessoa o que lhe é devido). Agindo desta forma, o administrador pode ser considerado ético e moral. O profissional de administração, em seu processo de formação, tem acesso a uma série de saberes filosóficos, humanísticos e sociológicos que o habilitam a agir de maneira ética (e com moral elevada) no exercício de sua profissão. Ser e manter-se ético, diante das circunstâncias, vai depender de cada indivíduo, de cada administrador. E não se pode esquecer de uma coisa muito importante: dos valores espirituais e religiosos que cada pessoa adquiriu durante a sua vida.
ESTELA DE MATTOS- 06-04-2009
Sindicação